Bianca de Oliveira #6

28 dezembro 2014


Foto por Bianca de Oliveira
"Aquele instante em que tudo congela e vocĂȘ passa a ver a vida atravĂ©s das camadas transparentes de gelo enquanto estas vĂŁo derretendo. As pessoas ao seu redor continuam. Falando, correndo, se preocupando, comendo. Agindo. Afinal, o mundo nĂŁo pĂĄra. NĂŁo dĂĄ um minuto de descanso, nĂŁo deixa vocĂȘ sofrer adequadamente. É tudo para hoje, porque logo vai ser amanhĂŁ. Mas existe vocĂȘ, ser, que por alguma razĂŁo nĂŁo consegue acompanhar o ritmo do mundo. Sem saber o que fazer, sem saber como estar, sem saber o que ser, sem saber ao que pertencer, sem saber ao que se vender. E vocĂȘ se sente perdido. Parado no tempo em um cubo de gelo. Petrificado. Sem conseguir agir. Enquanto as pessoas fazem algo do qual podem se orgulhar. Enquanto Israel estĂĄ detonando a Palestina. E Ă© assim que vocĂȘ se sente, com a identidade ferida. EstĂĄ impotente diante de um grande mundo cruel e tem medo de que quando a mais fina parede de gelo derreter, vocĂȘ nĂŁo esteja preparado para enfrentar o que vem. Com medo de que a multidĂŁo a engula e vocĂȘ seja tragada para um mundo onde nĂŁo exista opiniĂŁo prĂłpria, onde nĂŁo exista humanidade. Onde tudo urge e nada Ă© feito no devido tempo".

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