Bianca de Oliveira #4

14 dezembro 2014

Foto por Bianca de Oliveira

"Há um tempo quis ser de tudo, experimentei ser de tudo, mas nunca consegui ser em plenitude o que eu era naquele momento, por isso ia vagando de personalidade em personalidade o tempo todo. Era um fantasma sem rumo que percorre as ruas confusas do autoconhecimento. Olhar ao redor e não ter um rótulo, por mais estranho que possa soar, era desesperador. Como eu precisava SER. Mas depois de um texto que li, mudei minhas perspectivas. O texto falava que "estamos, não somos". Depois dessa frase tudo fez mais sentido. Eu soube que aquela busca desenfreada por quem eu era não ia resultar em nada. Que eu podia continuar tentando, mas tudo que eu experimentasse por desespero ia acarretar em mais vazio, fazendo com que me sentisse mais perdida ainda. Porque dentro de nós há infinitas formas de ser. O que vem à tona depende do momento. Querer colocar todo esse ser em um quadrado, em um único formato imutável é tolice. Porque estar é viver em constante metamorfose; é o estar que nos proporciona viver. Ser nada mais é do que a consequência de estarmos. Eu estava aqui hoje e nesse dia fui muitas em uma só".

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